segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ensaio sobre a Mentira

Com o tempo, a gente aprende, na raça, uma verdade que parece muito óbvia: As pessoas mentem. Eu, particularmente, nunca acreditei em contos de fadas: "O príncipe", pensava eu, no altos dos meus primeiros anos, "ele mora num reino muito distante. Eu nunca vi um príncipe, acho que ele não passaria aqui perto de casa, né?". E a madrasta malvada? Aquilo, pra mim, era um absurdo! Se ela é madrasta, ela e quase mãe da princesa... como ela poderia querer o mal da princesa? Como ela mandaria matar a moça? Na minha cabeça, era incabível.

No final, eu desacreditava os contos de fadas pelos motivos errados. Conforme os anos passaram, eu aprendi que, na vida, os príncipes encantados até chegam a aparecer. só que eles normalmente vem na forma de sapo! Mandam 20 mensagens por dia no seu celular, se irritam quando você quer ver suas amigas, querem saber onde você está o tempo todo... Enfim, eles existem, mas a gente não quer muito saber deles no final das contas. Acabamos mesmo correndo atrás do Lobo Mau, que quer nos comer ali mesmo, na floresta. Ou do Coelho Branco, que nos leva a conhecer o "país das maravilhas". Pessoas, na verdade, ousadas o suficiente pra nos tirar da nossa zona de conforto, e nos mostrar os caminhos excitantes que a vida pode ter. Isso é verdade.

Agora, a madrasta? Aquela pessoa que mente, engana, inveja você, apesar de você confiar nela? Dessa existem montes. Pessoas que se aproximam por interesse... atuam, traem. Desrespeitam o outro em benefício próprio de diversas formas. Elas existem e estão em qualquer lugar, onde você menos espera conhecer alguém que não seja de confiança. - Na escola, na faculdade, no trabalho, na academia, no seu prédio... E hoje em dia, o acesso está ainda mais fácil, por que elas estão no Facebook também - um clique de distância. E isso, apesar de ser uma verdade óbvia, que atire a primeira pedra aquele que não aprendeu sobre o mau caráter das pessoas na marra, apanhando. Caindo ao menos uma vez nalguma armadilha deixada por uma dessas pessoas, que você achava que podia confiar.

Eu sei o quanto dói descobrir que Papai Noel não existe. Nesse ponto da vida, as pessoas normalmente passam por um momento importante de formação de personalidade, no qual rola um surto inicial. Tipo: "E agora? Ou eu também começo a mentir, ou não vou sobreviver nesse mundo!". Desse momento em diante, existem 3 caminhos a serem tomados: A pessoa pode se tornar uma mentirosa também, e passar a bolar armadilhas à sua volta, de modo a criar outros mentirosos; pode omitir quem ela realmente é, escondendo uma parte de si do mundo; ou ainda, pode continuar a ser honesta, usando a mentira em momentos de pouca relevância na vida. (Sim, colega... a partir daqui, todo mundo vai mentir! Que atire a primeira pedra quem descobriu a mentira mas nunca usou na vida!).

Bom, na minha opinião, pessoas que escolhem a mentira como modo de vida, optam também por frear a sua evolução como ser. Elas pensam que a mentira vai solucionar suas preocupações. Ou que vai corrigir seus erros. Acham que mentir é mais fácil do que pedir desculpas. E daí se atém a essa resposta fraca e vazia até perceber, tarde demais, que essa não era a solução. Infelizmente, isso já faz parte da pessoa, e ela não sabe mais mudar. Mas cedo ou tarde ela percebe que a mentira não resolve. E que em alguns casos, nem a verdade resolve.

A verdade, pura senhora, imaculada e bela, não merece ser tão louvada quanto de fato é. A verdade machuca, fere. Ela é uma fera que deve ser tratada com muito cuidado e bom senso pois, quando manipulada ou usada para o mal, pode ser muito perigosa. Quando a sua vida é um "livro aberto", você torna públicas todas as suas ações, sem medo de julgamentos. Infelizmente, publica também um convite a qualquer um que queira rasgar ou rabiscar suas páginas. E como você vai se defender, estando as suas páginas escancaradas e atadas por mãos mal intencionadas?

Isso nos leva ao segundo caminho, a omissão. Pessoas que optam por omitir, não estão no grupo dos mentirosos, pois "omitir não é mentir". Assim, elas se livram do peso moral que a mentira carrega perante os os olhos moralistas da sociedade. Então, vamos usar de novo a metáfora do "livro aberto" pra mostrar o quanto essa escolha pode ser perigosa: Quando alguém omite, sua vida continua sendo um livro aberto para as pessoas, por que ela não pode contradizer aquilo que está escrito lá. Daí, ao invés de fechar o livro, ela escreve por cima do que tem lá, rabisca, cola imagens mais bonitas, para que ninguém saiba o que realmente acontece. Na prática, essas são as pessoas que escondem suas fraquezas por trás de máscaras - roupas bonitas, corpo bonito, postura rígida ou agressiva, dinheiro, excesso de felicidade, etc. Colam nas páginas vidas que não condizem com a realidade de quem são.

Porém, a verdade ainda está lá, escondida, mas disponível a quem quiser saber. Há quem veja essas páginas surradas e não questione. Mas também há quem perceba a farsa, e consiga ler o que tem por trás. Esse alguem pode ou não abusar daquilo que enxergou nele, as fraquezas dele. E o pior, ele não saberá lidar com aquilo quando for usado contra ele mesmo. Isso por que, depois de certo tempo, as páginas da vida da pessoa ficam tão rebocadas e confusas que ele mesmo sabe discernir o que tinha ali antes. Ele passa a viver também uma mentira, por que já não sabe mais quem realmente é. Essa é a escolha que, infelizmente, grande parte das pessoas acaba fazendo.

E, por fim, há os corajosos, que preferem tentar manter o máximo de honestidade e integridade ao longo de suas vidas. A esses, ofereço apenas a minha reflexão (não chamarei de conselho, pois, se eu realmente tivesse a fórmula da felicidade, não estaria aqui refletindo, estaria lá fora ficando rica!). Pra conseguir sobreviver nesse mundo, a única maneira é cuidar do próprio livro. Da própria vida. Aprender quem somos e o valor que temos. Conhecer e valorizar as nossas forças, e conhecer e trabalhar as nossas fraquezas. Aprender quem somos é fundamental para que, mesmo as suas fraquezas, sejam a sua maior força, pois quando tentarem usá-las contra você, saberá lidar com isso com maestria.

Quando seu livro estiver reformado, revisado, limpo e encapado, você saberá reconhecer outro livro bem feito, certo? Quando a pessoa está em paz consigo mesma, sabe enxergar mais claramente alguém que não está tão bem assim. E esse alguém, se você deixá-lo entrar profundamente em suas defesas, provavelmente vai bagunçar tudo o que você arrumou. Daí, sua reação será bem parecida com a da sua mãe, quando você entra em casa em dia de faxina: "Não vai pisar com esse pé sujo no chão, menino! Acabei de passar pano!".

Você não vai deixar ninguém estragar algo por que trabalhou tanto, cuidou tão bem, e tanto preza. Isso se chama auto-estima. Amor próprio. A sua estima define até que ponto vai a sua abertura para o mundo. Não é preciso mentir. Não é preciso omitir. Basta ser você mesmo, atendo-se a seus principios e valores em primeiro lugar - ou seja, sendo honesto consigo mesmo. E limitar algumas verdades mais profundas a pessoas que realmente valham a pena.

Recomendo essas atitudes como um modo de tentar ser feliz sinceramente. Essa foi a forma, mas coerente que encontrei de ser franca e aberta, mas me proteger ao mesmo tempo. E conseguir me libertar um pouco do vício que é contar mentiras! É claro, quando a sua amiga grávida te perguntar se ela tá muito gorda, você não precisa dizer pra ela que ela está parecendo uma leitoa de vestido. Tem mentiras que são saudáveis. Mas também não diga que ela está radiante, ok? Ninguém mais cai nessa!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em terra de cego

"Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você"...

Essas palavras de Renato Russo descrevem as coisas como elas são. E os sentimentos que a gente tem às vezes. Segue um texto muito bacana que recebi de uma amiga, falando a respeito disso:


Em terra de cego

Nenhum ditado popular explica tão bem os problemas do Brasil e do mundo como "Em terra de cego quem tem um olho é rei". Ele mostra por que existe tanta gente incompetente dirigindo nossas empresas e nossas
instituições. Mostra também por que é tão fácil chegar ao topo da pirâmide social sem muita visão ou competência. Basta ter um mínimo de conhecimento para sair pontificando soluções.

Todo mundo palpita em economia e futebol como se fosse Ph.D. no assunto. Se o técnico Luiz Felipe Scolari tivesse ouvido os palpiteiros, jamais seríamos pentacampeões mundiais de futebol. Por isso temos tantos intelectuais para lá de arrogantes, que se acham predestinados a dirigir nossa vida com muita teoria e pouca informação.
Existe um corolário desse ditado que me preocupa por suas conseqüências. "Em terra de cego, quem tem um olho é rei, e quem tem dois olhos é muito malvisto." Indivíduos inteligentes e capazes são encarados como uma enorme ameaça e precisam ser rapidamente eliminados pelos que estão no poder.

Por essa razão, pessoas com mérito e competência dificilmente são promovidas no Brasil. Promovidos são os bajuladores e puxa-sacos. Quando aparece alguém com dois olhos, os reizinhos tratam de eliminá-
lo, quanto antes melhor. Já cansei de ver gente competente que, de um momento para o outro, deixou de ser ouvida pela diretoria. Já vi muito jornalista que, de repente, caiu em desgraça. Já vi muito jovem comentar algo brilhante na aula e ser duramente criticado pelo professor, sem saber o motivo.

Todos cometeram o erro fatal de mostrar que tinham dois olhos. Por favor, não deixe que isso aconteça com você. Se você é dos milhares de brasileiros que possuem dois olhos, tome cuidado. Em terra de cego, você corre perigo. Nunca mostre a seu chefe, professor ou colega de trabalho os olhos que tem. Lamento não poder dar nenhum bom conselho, eu sou dos que têm um olho só.
 
A maioria dos dois-olhos que conheço já desistiu de lutar e optou pelo anonimato. Quando eles têm uma idéia brilhante, colocam a solução na mesa de seus chefes e deixam que a idéia seja descaradamente roubada. Eles se fingem de mortos, pois sabem que, se agirem de modo diferente, poderão tornar-se vítimas. 
 
Mas há saídas melhores.

Se seu chefe tem um olho só, mude de emprego e procure companhias que valorizem o talento, que tenham critérios de avaliação claros e baseados em meritocracia. São poucas, mas elas existem e precisam ser
prestigiadas. Ou, então, procure um chefe que tenha dois olhos e grude nele. Ele é o único que irá entendê-lo. Ajude-o a formar uma grande equipe. Se ele mudar de empresa, mude com ele. Seja diferente, procure os melhores chefes para trabalhar, não as melhores companhias. Normalmente, as grandes empresas já são dominadas por reizinhos de um olho só. Por isso, considere criar um negócio com outros como você. Vocês terão sucesso garantido, pois vão concorrer com milhares de executivos e empresários de um olho só. 
 
Nosso erro como nação é justamente não identificar aqueles que enxergam com dois olhos, para poder segui-los pelos caminhos que trilham. Eles deveriam ser valorizados, e não perseguidos, como o são. O Brasil precisa desesperadamente de gente que pense de forma clara e coerente, gente que observe com os próprios
olhos aquilo que está a sua volta, em vez de ler em livros que nem foram escritos neste país.

Se você for um desses, tenha mais coragem e lute. Junte-se a eles para combater essa mediocridade mundial que está por aí. Vocês não se encontram sozinhos. Nosso povo tem dois olhos, sim, e é muito mais esperto do que se imagina. Ele está é sendo enganado há tempos, enganado por gente com um olho só. Foi-se o tempo de uma elite pensante comandar a massa ignara. Hoje, a maioria do povo tem acesso à internet e a home pages com mais informação do que essa intelligentsia tinha quando fez seu doutorado. Se informação é poder, ela não é mais restrita a um pequeno grupo de bem formados. Nosso povo só precisa acreditar mais em si mesmo e perceber que cegos são os outros, aqueles com um olho só.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1796, ano 36, nº 13, 2 de
abril de 2003, página 20.

Artigo escrito há 7 anos, mas eternamente atual.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

PLC 122

Hoje vou falar sobre a real razão que me trouxe a criar e escrever em um blog. Honestamente, durante todos esses anos de crescimento desenfreado da internet, eu já tive ICQ, Fotolog, Orkut, Msn, Facebook, Twitter, enfim, todas as participações em redes sociais possíveis. Mas realmente nunca me interessei por ter um Blog, mesmo quando era moda ter um. Na verdade, nunca gostei da chamada "moda". Você vê uma pessoa com um par daquelas sandálias horrorosas, com um salto plataforma gigantesco, bege, que fazem qualquer mulher por mais magra ou bela que possa ser - parece estar caminhando com uma pata de elefante no lugar do pé; daí, na sua qualidade de cidadão com direito à crítica, você se manifesta contra aquilo, e é obrigado a escutar "Ah, mas tá na moda!". ¬¬'. Como se aquela frase justificasse qualquer coisa!! Confesso que, de fato, já me rendi à boa parte de coisas de estão "na moda" - roupas, sapatos, sites de relacionamento... Coisas que, depois de um tempo, ou você se rende ou se sente como um ET caminhando pelas ruas. Bom, mas isso é assunto para um próximo post.

Acontece que, o que me motivou de fato a iniciar esse espaço foi um vídeo que assisti ontem à noite, postado por um de meus amigos no Facebook, com as palavras do Pastor Silas Malafaia em um protesto contra o PLC 122. Daí, me interessei por me aprofundar sobre o tema, e me informar melhor sobre esse tal PLC 122.

Este é um projeto de emenda Constitucional que está em andamento no Senado há cerca de 10 anos, e que visa acrescentar a homofobia também como crime ao seguinte Artigo, já existente - "Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". A modificação pretende acrescentar outras vítimas de discriminação no país, sendo que a Lei passaria a vigorar com o seguinte texto: "Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.".

Em minha opinião, não há, essencialmente, nada de errado com o projeto. Apesar de algumas falhas no texto, que podem dar margem a interpretações equivocadas - Por exemplo, no Brasil não existe Lei alguma que puna a pedofilia. No caso de um pedófilo ser preso, baseando-se nessa emenda, é possível que ele alegue que sua "orientação sexual" é gostar de crianças de 5 anos, e assim estará não somente impune, como também protegido pela Lei. Essa falha é muito séria. Mas, creio eu que ela possa ser bem mais facilmente corrigida pelos fervorosos opositores ao PLC 122 - Basta que eles usem toda a energia que estão gastando para impedir que essa Lei seja aprovada para aplicar esforços no desenvolvimento de um artigo que puna a pedofilia. Acho que pra algumas pessoas é bem mais fácil criticar o que está sendo feito do que tentar melhorar a vida de todos.

Corrigindo essas falhas, entendi que o texto, na realidade, beneficiará além dos homossexuais, os idosos, deficientes físicos e, inclusive, os heterossexuais. Imagine a situação: Você vai fazer uma entrevista de emprego. Você é um homem, heterossexual, bombadinho, de gel no cabelo, camisa coladinha pra mostrar a musculatura, enfim, um pegador. Você percebe, pela aparência dos demais funcionários da empresa, que a maioria provavelmente é homossexual, mas isso não importa para você. Acontece que o seu entrevistador é gay, e absolutamente odeia o seu tipo de "playboy pegador". Ele não te dá boas oportunidades de responder às perguntas a respeito de sua experiência profissional, e prefere enfatizar as coisas que você não sabe fazer. Ao final da entrevista, ele vem com um "Entraremos em contato". Ou seja, você já imagina que ninguém vai te ligar. Nessa situação, ficou claro para você}e que aquela entrevista foi injusta? Você acha que ele te discriminou por ser heterossexual? É direito seu processá-lo e condená-lo à prisão por conta disso.

Além disso, a punição poderia minimizar o problema do preconceito. Não acho que acabaria com o problema, assim como ainda não conseguiu erradicar o preconceito racial, por exemplo, mas talvez fosse possível que se amenizasse o furor ao longo dos anos, assim como aconteceu com o próprio racismo, a xenofobia, entre outras formas de discriminação já há muitos anos protegidas por lei. Afinal, imagine só - Se você visse um negro passando pela rua e gritasse: "Seu PREEEEEETOO!", será que seria punido? Provavelmente, receberia ao menos olhares de censura das pessoas a sua volta, que sabem que racismo é errado. Agora, se você visse o mesmo cara passando e gritasse: "Seu VIAAAAAAAADOO!", o que aconteceria? Aquelas mesmas pessoas, que na situação anterior te julgariam preconceituoso, no máximo, iriam esboçar ou esconder risinhos. É ou não é??

Por essas e outras, acho o PLC 122 fundamental para que a nossa cultura comece a aprender a ter tolerância com os homossexuais. Mas, de qualquer forma, essa é a minha opinião. Caso as informações estejam muito sugestionadas, e você queira consultar fontes, o site do projeto é esse:
http://www.plc122.com.br/#axzz1p27CcQo5

E este é o próprio PL 122, o projeto que está atualmente em votação. Aqui você mesmo pode ler e tirar suas conclusões.
http://www.plc122.com.br/wp-content/uploads/2011/06/PLC122-Vers%C3%A3o-atual-Apresentada-por-F%C3%A1tima-Cleide-tem-prioridade-nas-vota%C3%A7%C3%B5es.pdf


Voltando, então, ao início do post. Pausei o vídeo que vi na página do Facebook, que segue abaixo, para ler um pouco sobre o PLC 122. Após não ter encontrado mais problemas do que soluções, voltei a ver o vídeo. Quando comecei a ouvir o que ele tinha a dizer, não consegui me segurar, e fiquei contra-argumentando com o homem aqui, sozinha, gritando com a tela do computador. Para ver o que ele disse, segue o link abaixo:


Minha revolta foi tanta que tive que vir até aqui. Estava indignada com o tamanho da ignorância e, principalmente, da intolerância dessas pessoas. Parte o meu coração ver a forma como tantas pessoas se inflamam quando o assunto é homossexualidade. Como meu amigo comentou, a gente não vê esse mesmo número de gente se inflamando para protestar contra as péssimas condições de saúde, educação, transporte, entre tantas outras deficiências no sistema, as quais certamente atingem muito mais a vida de todos eles do que um casal homossexual andando na rua de mãos dadas.

Daí, então, eu precisei de um espaço, ainda que humilde e pouco frequentado, para manifestar as minhas idéias com relação às palavras do Pastor.

Ele inicia o discurso declarando a respeito do direito à liberdade de expressão, que é inviolável, e das garantias de liberdade individuais. Isso já é contraditório, considerando que se ele considerar esse direito, inerente a qualquer pessoa dentro do território brasileiro, deve considerar que isso vale também a qualquer homossexual. Isso não faz a liberdade que você tem de dizer que não é a favor da homossexualidade (que, aliás, pra mim é um absurdo de ser dito. Você é contra o céu ser azul? É contra as pessoas serem negras? Tem coisas que simplesmente existem, não são escolhidas) um direito de ofender ou constranger pessoa alguma.

Daí, outra barbaridade que ele disse: Como já existe lei que pune quem agride alguém na rua, se o homossexual for agredido, essa lei já o protege. Normalmente, se alguém agredir qualquer pessoa, incluindo um homossexual, vai pra cadeia. Claro, isso seria muito coerente, se a agressão física fosse o único tipo de agressão que o homossexual sente. E a discriminação, não é punida? E o garçom que não deixou um gay ficar em seu estabelecimento, fica feliz e contente em casa? E a pessoa que não quis contratar aquela moça super competente por que o RG dela dizia que seu nome é Roberto dos Santos, não está errada? Além desses outros tipos de agressão, existe outra realidade clara - casos de agressão física a homossexuais raramente terminam com o gay vivo para poder dar a queixa de agressão. Quem repõe esse filho à mãe, que o perdeu apenas por ser diferente da pessoa que o agrediu? Será que somente a lei contra agressão física é suficiente para conter esses ataques de grande superficialidade?

Ele fala ainda sobre constrangimento filosófico, que se um pastor ou padre abrir a Bíblia para pregar sobre a homossexualidade, é constrangimento filosófico. Daí, a Bíblia vira livro homofóbico. Posso ser muito sincera com relação a isso? É só NÃO PREGAR, PORRA! Se um cara procurar a Igreja, perguntando se está certo ou errado por sentir atração por pessoas do mesmo sexo, acredito que qualquer um lá dentro que tenha conhecimentos sobre o culto daquela religião faz ficará muito feliz em informá-lo. Agora, se o cara não está interessado em saber o que você pensa em relação às suas atitudes, simplesmente deixa ele em paz!

O texto da PLC 122 não tira de ninguém o direito a ter opinião, nem de compartilhar sua opinião com outras pessoas. Você é perfeitamente livre para achar que o gay é uma aberração, assim como é perfeitamente livre para achar que negros, brancos, mulheres, velhos ou até coalas são aberrações. Mas, só por causa disso, você acha que pode sair matando em coalas e não ser punido? Acha que pode negar oportunidade a um negro só por que você quer? Acha que o ônibus pode não parar no ponto só por que quem está dando sinal é uma velhinha, e ela é sem importância? As igrejas tem seus dogmas, e o PL 122 não fere nenhum direito à culto religioso, mas impede que pessoas sejam destratadas por serem apenas quem são.

O ponto mais importante a ser combatido não é o preconceito, por que ele é inerente à todo ser humano. O que prejudica o convívio entre as pessoas é a discriminação. Os preconceitos são naturais da vida em sociedade, e a primeira impressão de alguém conta SIM. Mas sabe qual é o limite entre preconceito e discriminação? Quando elas dão prioridade às idéias que formaram antes de conhecer a pessoa, ignorando ou sequer se interessando por conhecer quem elas são realmente.

Continuando sobre o protesto do Malafaia, ele também diz que se um diretor de escola impuser regras sobre manifestação afetiva em seu estabelecimento, ele vai preso. Veja bem, o texto da PL 122 é claro quando diz que essa proibição se torna crime quando é restrita necessariamente a um grupo, ou seja, proibida para alguns e permitida para as demais pessoas. Isso quer dizer que, quando você se manifesta contra homossexuais demonstrarem sua afetividade em público, mas não liga se heterossexuais fazem o mesmo (ou vice-versa), é crime. Entretanto, se nem um nem outro podem, não se caracteriza como infração.

Fico muito chocada quando o pastor fala que quer manter o direito de criticar conduta. Uma coisa é criticar conduta, outra é criticar pessoas. Ele afirma que se pode criticar qualquer um, mas se criticar homossexual, é homofóbico. Gostaria de esclarecer uma coisa - criticam-se políticos, padres, pastores, diretores, consultores, ou quaisquer pessoas por sua conduta. Ser ladrão é crime perante a Lei, então eles podem ser criticados SIM. Se um gay roubar, furtar ou matar, podemos sim chamá-lo de ladrão, isso não é homofobia. Porém, ser homossexual não é crime, portanto, qualquer crítica a eles se torna de cunho pessoal. E é isso que o PLC 122 pretende punir. A ignorância mora numa questão simples: entender que o homossexual não é do jeito que é puramente por conduta - eles sentem que não tem opção.

Já li artigos falando sobre diversas possibilidades para determinar as causas do homossexualismo. Uma das que mais me parece coerente é a que fala sobre alterações hormonais da mãe durante a gravidez. De acordo com o artigo (não me lembro da fonte agora, li já faz algum tempo), quando um feto está em desenvolvimento no útero feminino, doses excessivas de hormônios que determinam características femininas ou masculinas podem alterar o desenvolvimento cerebral do bebê, dando-o características neurais que seu sexo normalmente não teria. Imagine uma menina se desenvolvendo no útero da mãe. Lá pelo terceiro mês de gravidez, a mãe acidentalmente tem uma super produção de testosterona, que afeta a formação do cérebro da menina. Ela, depois de nascer e crescer, não vai ter quaisquer problemas de saúde, e possivelmente pode nem vir a desenvolver atração sexual por pessoas do mesmo sexo (ou pode ser que sim, tudo depende da influência do meio em que ela será criada) - entretanto, ela pode ter um raciocínio lógico mais apurado, ouvido mais sensível para sons graves, habilidades com trabalhos pesados... Características neurologicamente consideradas masculinas. Mas isso vai ser simplesmente quem ela é. Entretanto, eu duvido que ela não vá receber, ao menos uma vez na vida, o apelido "Maria-Trator".

Logo, pode-se esperar que estudos ainda mostrem a influência hormonal como determinante para a homossexualidade. Mas vamos imaginar que isso jamais será comprovado, e que ser gay é, de fato, uma escolha. Daí, pense em você, nessa sociedade em que vivemos, onde tudo é mais difícil e até violento para os homossexuais. Se você pudesse escolher um caminho para a sua vida, iria pelo mais fácil ou pelo mais complicado? Claro, não coloco todos os homossexuais num patamar de santidade: Existem, sim, os modismos, não podemos negar. Hoje em dia, pode-se ver que a moda influencia bastante, e algumas pessoas podem se declarar gays apenas para sentirem-se incluídas num grupo. Mas mesmo isso não deveria ser um problema, pois o adolescente passa por uma fase natural de experimentação sexual, e é bem menos doloroso pra ele descobrir que é gay se já tiver tido contato afetivo com pessoas de sexos diferentes. É aquela frase: “Como você sabe que não gosta de jiló? Você já comeu jiló??”

Passada essa fase dos modismos e experiências, supondo ainda que ser homossexual é realmente uma escolha, chega finalmente o momento da escolha. Decidir ser homossexual é escolher um caminho bastante difícil, e creio que se a pessoa pudesse, escolheria o mais fácil - aliás, como muitos fazem hoje em dia, não? Há diversos casos de homens e mulheres que se casam com pessoas do sexo oposto; porém, passam o resto da vida sentindo atração pelo mesmo sexo, e às vezes até mantém relações homossexuais extraconjugais. Portanto, faz sentido que todas essas pessoas ESCOLHAM sofrer discriminação e preconceito?

O ponto principal é que, de acordo essa lógica, ser gay não é necessariamente uma escolha para o indivíduo, assim como não é uma escolha para ele ser heterossexual. Daí, eu pergunto - Se ninguém jamais criticou um heterossexual por ser quem é, por que se considera desvio de conduta o gay ser quem ele é?

O pastor, em seu protesto, se baseia ainda no fato de os cristãos – evangélicos, católicos, etc. – serem maioria absoluta no país. Na boa? E DAI? As mulheres são maioria no planeta, e ainda assim há várias culturas que as colocam em submissão à vontade do homem. Na nossa cultura, ainda é muito comum pessoas agindo dessa forma, inclusive. O fato de um grupo ser maioria numa sociedade não os dá direito de achar-se de opinião superior às minorias. Ou será que só por que a maioria da população da Alemanha achava que ser judeu era uma aberração, eles estavam corretos?

Tenho apenas algumas ressalvas com relação ao PLC 122. Acredito que o texto deva ser escrito com pouco mais de clareza, de modo a não dar margem para pessoas mal intencionadas tomarem proveito de suas palavras.

Mas, de maneira geral, o que me incomoda nos religiosos extremistas é a superioridade em relação aos demais que eles acham ter. Parece que eles são tão superiores que sequer fazem questão de ter uma convivência pacífica com os "inferiores", já que eles estão incomodando-os em sua superioridade. “Quero continuar tendo direito de falar mal de homossexuais!” “Quero continuar tendo direito de tirar meu filho de uma escola onde o professor é homossexual, mesmo que ele seja um ótimo professor e meu filho nunca tenha tirado notas melhores. Vai que ele é pedófilo...”. ¬¬'

Considerar abomináveis os gays, negros, idosos, deficientes, ou quaisquer indivíduos do planeta é um direito seu. Mas é um dever seu trabalhar com seus próprios preconceitos, de modo a não corromper o restante da sociedade com as sua mente pequena. Guarde a sua intolerância para você.

domingo, 12 de junho de 2011

O Início

Hahahaha....
Bom, todo início é meio clichê, não?
OI geeeente, espero que gostem das postagens, deixem comentários, bla, bla, bla....

Começei isso aqui só pra brincar de escrever um pouco. Sei que não serei profissional no assunto, mas... eu gosto.

#beijomeliga